PORQUÊ É NECESSÁRIO O CENÁRIO ?

Se fala as vezes que para avaliar uma empresa é necessário a utilização de cenários.  Isso aparentemente parece complicar as coisas, tornando-as mais complexas, fechadas e pouco entendíveis.

Será que é verdadeiramente necessária a sua utilização?

A resposta é afirmativa.  Infelizmente é uma verdade consequencial e precisamos deles de forma contundente.

Lembre que avaliar empresas tem como propósito principal estar preparado para a tomada de melhores decisões sobre a nossa empresa, como por exemplo, uma iminente venda dela, medir seu desempenho, compra de outra empresa, em fim, uma série de aplicações interessantes e quase que intermináveis no mundo empresarial.

Você precisaria também compreender perfeitamente o DNA financeiro de uma empresa.  Mas isso já resolveria o problema de entender o porquê precisamos de cenários.  E como nosso propósito é explicar o porquê é necessário a utilização dessa rara técnica, vamos consequentemente entrar no assunto.

Não esqueça de que o valor do qual estamos falando não se restringe somente ao valor contábil patrimonial da empresa, e sim, ao poder que a empresa tem de gerar lucro.  Em palavras mais precisas, gerar de forma constante sobras de caixa.

Vejamos então o porquê da necessidade de usar o cenário como ferramenta fundamental para avaliar uma empresa.

É possível demonstrar matematicamente que o valor de uma empresa depende de seu futuro.

Mas por hora vamos nos ater a um exemplo somente.  Sem entrar em detalhes profundos, pegue duas empresas de igual valor contável, ou seja, igual valor do patrimônio nos livros de contabilidade.  Uma produz DVD e a outra discos LP. Qual vale mais?  Qual das duas você compraria?  Claro, a que terá melhor desempenho.  A de DVD.  A de melhor fluxo de caixa futuro..... Falei futuro?  Estão vendo como o futuro ganho é o que interessa e não o passado, porque o ganho passado é do dono anterior, e o que acontecerá de agora em diante é nosso e, além disso, é o que nos interessa realmente como investidores.

O problema é que o futuro de uma empresa é desconhecido.  Ninguém pode saber o futuro de uma empresa.  Se soubéssemos o futuro seriamos facilmente milionários.

O que fazemos então?

O que nós podemos fazer é construir um futuro HIPOTÉTICO, ou seja, algo com boas possibilidades de acontecer no futuro próximo.  Ele conteria as vendas futuras, as despesas futuras, os custos dessas vendas, os investimentos a se fazer e os financiamentos que se precisarão.

Muito bem, até agora estamos descrevendo o que precisamos, mas, como podemos construí-lo de forma fácil de entender?

Ele só é possível de ser construído mediante uma PROJEÇÃO.  E essa projeção se gera a partir de um CENÁRIO.

Definimos um cenário coerente e calculamos o valor da empresa.  Se definirmos outro, obteremos outro preço da empresa.  Assim continua o trabalho de avaliar empresas, projetos ou a modificação de empresas.

Você pode perceber que a palavra "cenário" poderia ser substituída pelas palavras "dados de entrada".  É correto, pois todos os dados de entrada formariam um cenário definido.  É o futuro da empresa a ser medido.  Esse futuro na realidade pode ser convertido num resultado mensurável, após pagar todas as necessidades de caixa da empresa.  Esse resultado comumente é chamado de Fluxo de Caixa.

Para gerar esse fluxo futuro vimos que devemos definir um "cenário", e aqui o definimos como comentamos anteriormente como projeções de vendas, de custos, de despesas, de investimento, de financiamento, completado com uma listagem de premissas (como inflação, desvalorização, política de estoques, entre outras) para poder gerar dessa mescla uma projeção resultante final.  Essa projeção resultante é um fluxo de caixa futuro.

Demos outro passo pequeno.  A segunda coisa para saber é que esse fluxo de caixa futuro é chamado dentro do mundo das Finanças Corporativas como Fluxo de Caixa Líquido (FCL), e é o sangue da empresa.  Sem ele ninguém sobrevive.  É como a respiração de uma pessoa.  Se você tem FCL você respira.  Se você não tem FCL, você não respira.

Na realidade o FCL é o dinheiro que pode ser tirado da empresa sem afetar sua funcionalidade.  Se em cada período você tira da Receita, os custos e despesas que você precisa fazer para manter essas vendas, e tira também os pagamentos a vencer e os investimentos que pretende fazer nesse período, restaria apenas o dinheiro que sobraria para reinvestir no futuro ou ser retirado da empresa como dividendos.  Se esses dividendos são negativos, significaria que sua empresa está em perigo e seu valor apenas são os ativos menos os passivos.  Se forem positivos, agradeça à Divina Providência, sua empresa tem valor e depende de seu poder de fogo que é gerar caixa.

Fundamentalmente ele representa o valor da empresa.  Não entraremos em detalhes de como se calcula o valor da empresa, mas podemos dizer que o valor de uma empresa depende deste FCL.  O que é aceito por ter bom senso é que quanto maior esse FCL, maior será o valor da empresa.  E que fique claro, quanto mais dinheiro gerar a empresa, maior será o valor dela.  Isto logicamente é aceito pela comunidade científica por ser demonstrável.

Portanto podemos concluir que se temos um FCL gerado por um cenário DEFINIDO que envolve as vendas, custos, despesas, investimentos, financiamentos e uma lista de premissas, podemos ter a certeza matemática de que o valor calculado segue os princípios teóricos das Finanças Corporativas.

No final da primeira página de nosso portal falamos que "O valor de uma empresa depende de seu futuro".  Temos sérias razões para afirmar isso, por ser matematicamente demonstrável.

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Isaac Hayon Sasson é Engenheiro Mecânico, Executive MBA, especializado em Finanças Corporativas, e consultor nas áreas de avaliação de empresas, projetos de engenharia, construção de fábricas e recuperação de empresas.

E-mail :  isaach@sti.com.br   Portal :  www.valordeempresa.com

"Como não sabemos o futuro, é impossível obter o cenário exato, mas podemos gerar um que não esteja tão afastado da realidad futura"